O Desporto e a Educação

Geocentro & Clube dos Galitos (Náutica – Remo) juntos

Esta abordagem ao tema do desporto e da educação vem a propósito do facto de ter sido celebrado um protocolo de parceria entre o Geocentro e a Secção Náutica dos Galitos. Entre muitas outras coisas, esteve presente a preocupação de manter um equilíbrio salutar entre a escola e a prática desportiva. Ambas contribuem para corroborar a máxima de “Mente sã, Corpo são

A expressão “mente sã, corpo são” simboliza um intelecto saudável e um corpo sadio. Significa bem-estar físico e mental. Este aforismo pretende chamar a atenção para a união e complementaridade que deveria existir entre o corpo e a mente.

Para se ter uma mente e um corpo saudáveis é necessário praticar exercício físico, descansar, ter uma boa alimentação, higiene física e oral, entre muitas outras coisas, a realizar diariamente.

O segredo para obter os melhores resultados está em cuidar do corpo e da mente ao mesmo tempo; para isso, sugerem-se algumas ideias:

– É necessário concentrar-se apenas na atividade que está a desenvolver, desligando-se por completo dos seus outros afazeres;

– Quando caminhar, preste atenção cuidada à sua respiração;

– Caminhe regularmente; não adianta praticar a marcha apenas aos fins de semana (ajuda mas não é o ideal); faça da caminhada um hábito diário e procure torná-lo tão bom quanto possível;

– Tenha atenção ao que come;

– Viver saudável – ser saudável – depende, em muito, de nós;

Pratique desporto.

A Secção náutica do Clube dos Galitos

A Secção Náutica do Clube dos Galitos é posterior à fundação do clube (25 de janeiro de 1904), tendo-se inscrito na Federação Portuguesa de Remo em Julho de 1937. O seu primeiro título de Campeão Nacional ocorreu com uma equipa júnior de “Shell de quatro” em 1941. Foi o início da construção de uma equipa, que durante a década de quarenta dominou o remo em Portugal, conquistando inúmeros títulos de campeão nacional, títulos ibéricos em “shell” de quatro e “shell” de oito em 1942 e 1945 respetivamente, culminado com duas participações nas Olimpíadas de Londres em 1948 e Helsínquia em 1952. Renovando a equipa, seguiram-se mais sete anos de êxitos, já obtidos na Pista do Rio Novo de Príncipe. Em 1959 são derrotados pelos seus eternos rivais de Caminha. Desfaz-se aqui a mais brilhante equipa de Remo aveirense e uma das mais fortes de sempre em Portugal.

A geração que substituiu os olímpicos teve tudo contra. Na década de sessenta assiste-se ao declínio da modalidade a nível nacional, apesar da participação de uma equipa no Campeonato da Europa, em França. Os jovens, chamados às Forças Armadas, iam para a guerra, enquanto outros tinham de estudar nos grandes centros, abandonando cedo a modalidade. Apesar da crise, o clube não parou de somar títulos nacionais em todas as camadas. Em 1964 obteve ainda uma vitória em Shell de oito. A construção da nova sede por parte do clube e os anos de turbulência que antecederam o 25 de Abril, também não foram favoráveis à secção, vendo-se até obrigada a participar em provas, com barcos emprestados.

Hoje, a realidade é bem diferente. A Secção Náutica volta a assumir-se como um clube de formação, com especial destaque na categoria de pesos ligeiros.1

O Remo

Um desporto será tanto mais completo, quanto maior for o seu contributo para o desenvolvimento equilibrado do Homem nas suas várias dimensões: a física, a moral, a intelectual, a social ou a artística, facultando-lhe paralelamente, um racional desenvolvimento da imaginação e da vontade, da inteligência e do músculo, do espírito prático e do espírito de sacrifício, do individualismo e do coletivismo.

Remar é, por excelência, um exercício a todos os títulos completo. Os remadores são, em geral, excelentes atletas, bem musculados, dotados de largos ombros, com uma caixa torácica profunda e um coração bem desenvolvido, que lhes permite suportar os duríssimos e prolongados esforços das competições de Remo. Por outro lado, o remador é, normalmente, dotado de um elevado espírito de companheirismo, de uma vontade de ferro e de um espírito de sacrifício a toda a prova. Companheirismo, porque numa tripulação não pode haver vedetas; os méritos individuais são, humildemente, postos ao serviço da equipa. Vontade de ferro, porque para suportar a dureza de um sério plano de treinos, ou o esforço prolongado de uma regata, é necessário o atleta ser dotado de um verdadeiro querer. Espírito de sacrifício, por tudo isto, pela dureza, pela dedicação, pelo brio com que o remador tem de encarar a sua atividade.

A prática regular do remo, para além de solicitar uma permanente e vasta atividade muscular, com consequente desenvolvimento dos músculos solicitados, dá ao aparelho circulatório um trabalho fácil mas de máximo rendimento, pela dilatação das artérias e desobstrução de milhares de capilares, que, se não fosse o exercício intenso, continuariam inativos.

Do ponto de vista da mecânica, o remo é caracterizado por um movimento cíclico no qual os membros superiores e inferiores trabalham sincronizados. A força aplicada em cada remada pode variar de acordo com as características mecânicas do barco e a capacidade fisiológica do remador, tais como o diâmetro muscular, o tipo de fibra predominante, a eficiência do trabalho e a capacidade metabólica.

A intensidade utilizada nos treinos varia de acordo com a fase de preparação. São utilizados treinos de baixa intensidade e longa duração, bem como treinos de maior intensidade e de curta duração.

Os remadores de elite são sujeitos a cargas de preparação muito exigentes. Antes dos campeonatos mundiais, o volume de treino pode atingir 190 minutos diários, dos quais aproximadamente 55% a 65% são realizados no barco, e o restante é composto de exercícios não específicos, tais como musculação e alongamentos. No entanto, o remo é um desporto em que genericamente o treino é de baixa e/ou moderada intensidade, despendendo apenas 4% a 10% do tempo total no treino de alta intensidade, isto pode explicar porque os músculos dos remadores de elite apresentam 70% a 85% de fibras de contração lenta, evidenciando globalmente um efeito notório de estimulação.

A competição em remo divide-se em várias categorias em função da faixa etária: júnior (atletas até aos 17 anos), sénior B (atletas de 18 a 23 anos), sénior A (atletas acima de 23 anos) e master (acima de 27 anos). Para os atletas seniores A e B existem duas categorias de peso para ambos os sexos, a ligeira e a pesada ou aberta. Os remadores de categoria ligeira têm como limite a sua massa corporal, no dia da competição, os homens não podem apresentar mais de 70 kg e as mulheres 57 kg. A média da massa corporal aberta (peso pesado) em campeonatos internacionais é de 92 kg e 79 kg para homens e mulheres respetivamente. Esta divisão por massa corporal pode ocasionar características dietéticas divergentes entre elas, e também distúrbios da imagem corporal e distúrbios alimentares, principalmente na categoria de pesos leves.

O remo é descrito como um dos desportos de maior desgaste fisiológico, promovendo um elevado gasto energético. Estima-se que numa regata de 2000 metros, com duração de 6 a 8 minutos, sejam gastas aproximadamente 200 a 250 Kcal, e numa a duas horas de treino diário são requeridas de 1000 a 2000 Kcal.

O remo é um desporto do tipo força-resistência, e o desempenho nas competições depende das capacidades aeróbias e anaeróbias, da forte capacidade motora e das técnicas e táticas de remo. Consequentemente, um remador tem que desenvolver diversas capacidades com o intuito de ser bem-sucedido. Também deve trabalhar sobre uma válida bateria de testes de remo onde inclui parâmetros que são altamente relacionados com a performance do remo. O treino de resistência é o mais usual no remo. Para competições de 2000 metros, é preferido o treino da resistência de elevada velocidade em relação ao treino da resistência de reduzida velocidade. O treino específico do remo internacional apresenta aproximadamente 70% do tempo total de treino.

1 – [Fonte: http://www.galitos.pt/historial.aspx?seccao=7&menu=11]

2 – [In “Monografia apresentada por Vitor Emanuel Dinis Santos com vista à obtenção do grau de Licenciado em Educação Física pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra”.]